Todo dia é dia de índio

Chegando a data de 19 de Abril estamos acostumados a presenciar a famosa pintura no rosto dos alunos, com cocares feitos de materiais diversos. Mas afinal qual o sentido de comemorar essa data?

 

A escolha de tal data remete ao ano de 1940, quando uma grande diversidade de etnias nativas do continente americano, de vários países, se reuniram no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, com o intuito de discutir a formação dos estados nacionais, e os reflexos da colonização europeia sobre as terras do então “NOVO MUNDO”. Mas, para além de um encontro com caráter de união somente dos povos indígenas, o encontro também foi marcado por um diálogo com as comunidades não indígenas, sejam elas afrodescendentes, latinas ou descendência europeia.

 

Naquele momento histórico ao qual se atravessava a luta dos povos ameríndios, não se fazia diferente do momento atual, uma vez que ser “ÍNDIO” no XXI, acarreta na construção de uma nova visão do que é ser ÍNDIO. Visão essa que deve despir de todos os estereótipos construído pelo colonizador, como por exemplo:

 

  •        “Índio só vive na mata”;
  •        “É índio, mas usa tecnologia”;
  •        “Isso não faz parte de sua cultura”;
  •        “Para que tanta terra?”

 

 

As falas acima descritas, não levam em questão a complexidade da intervenção colonizadora na realidade da construção social e cultural dos povos, uma vez que a realidade, após quinhentos anos de intervenção, são as mais variadas. Segundo o censo do IBGE de 2010:

“A população brasileira soma 190.755.799 milhões de pessoas. Ainda segundo o censo, 817.963 mil são indígenas, representando 305 diferentes etnias. Foram registradas no país 274 línguas indígenas”.


Os números nos demonstram que a cultura indígena ainda continua resistindo por um Brasil onde todos os povos existam, de uma forma harmônica e consistente. Independentemente da região, língua, ou quais que sejam as individualidades de cada povo, ser capaz de entender o outro como parte formadora de uma nação, tendo em mente, que todos somos um só país.

 

Rafael da Costa 
Professor de História 💚